DEPRESSÃO
Vanessa Müller, psicóloga clínica – CRP 65914
Alexandra Bertani, psicóloga clínica – CRP 62279
DEFINIÇÃO:
O termo depressão pode significar tanto
um estado afetivo quanto um sintoma, uma doença
ou uma síndrome. A depressão pode surgir,
enquanto sintoma, nos mais
diversos quadros clínicos, como: estresse pós –
traumático, dependência química, luto, situação
econômica, relacionamento, etc. Em doença,
pode aparecer como distima, transtorno bipolar,
depressão maior, entre outras. Como síndrome,
inclui alteração do humor, psicomotora,
cognitiva e vegetativa.
Quando se faz um diagnóstico de
depressão, deve-se levar em consideração as
alterações de comportamento (crises de choro,
tendência suicida, retardo ou agitação
psicomotora, isolamento, etc.), os sintomas
psíquicos (humor depressivo, diminuição da
capacidade de pensar, se concentrar ou tomar
decisões, fadiga, perda de energia, etc.) e
fisiológicos (alteração do sono, apetite e
diminuição da libido).
TRATAMENTO:
O trabalho psicoterapêutico é
fundamental tanto para o paciente quanto para os
que o cercam, principalmente em crianças, pois
só assim a família terá estabilidade emocional
suficiente para maior eficácia no tratamento. A
ajuda dada aos familiares torna-se ainda mais
importante se levarmos em conta o grau da
patologia.
Para tanto, dentro das diversas linhas teóricas
existentes na psicologia, será explorado a
seguir o tratamento da depressão nas abordagens
cognitivo – comportamental e psicanalítica.
Cognitivo – comportamental:
consiste na utilização de técnicas que buscam
corrigir comportamentos disfuncionais e
pensamentos distorcidos. O objetivo é detectar e
modificar atitudes que reduzem as atividades
sociais, profissionais e de lazer, visando a
qualidade de vida e o bem estar, dando enfoque
em novas possibilidades, resolução dos problemas
e o alívio dos sintomas.
Psicanalítica: busca modificar a
estrutura da personalidade do paciente, não só o
alívio dos sintomas. Com objetivo de melhorar a
confiança nas relações, aumento da auto estima,
melhoria no enfrentamento dos problemas e das
perdas. A terapia psicanalítica propõe ampliar
as emoções do paciente.
DEPRESSÃO NA INFÂNCIA / ADOLESCÊNCIA:
Nesta etapa da vida, a depressão
geralmente acontece após algum evento
traumático, como: separação dos pais, falta de
carinho e atenção, falecimento de parente ou
amigo, mudança de residência, morte de animal
doméstico, abuso sexual, entre outros. A doença
pode ser percebida de maneira progressiva, por
meio de uma dificuldade em sorrir, lentidão,
falta de interesse, baixa auto – estima, podendo
inclusive demonstrar idéias suicidas.
Para que se faça um diagnóstico preciso
é necessária a associação de diversos fatores
históricos e permanência dos sintomas. Muitas
vezes os pais ignoram determinados
comportamentos (apatia, desinteresse, etc.)
acreditando se tratar de “obediência”, o que é
muito grave, pois além de gerar um grande
sofrimento na criança e agravar a doença, pode
provocar uma desadaptação ao meio familiar e
social.
DEPRESSÃO NA TERCEIRA IDADE:
Segundo Stoppe (1999), a diferenciação
entre os sintomas relacionados a doença e as
alterações associadas ao envelhecimento, são
importantes tanto no estudo clínico e
psicopatológico da depressão, quanto no
diagnóstico e na determinação dos diversos
fatores que contribuem para gênese dos
transtornos depressivos.
Um idoso pode apresentar sintomas
depressivos, que estão ligados ao envelhecimento
por conta de algumas limitações, relacionadas a
perdas psíquicas, como por exemplo:
esquecimento, lentidão no raciocínio; ou
físicas, dores crônicas, distúrbios do sono e
apetite.
No diagnóstico é necessário incluir,
além da síndrome, o estado de saúde físico,
cognitivo, condição sócioeconômica e
relacionamento familiar. Os dados da história de
vida, tratamentos anteriores e condição
psicológica são dados significativos durante o
tratamento.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
KAPLAN, H.I., SADOCK,B.J., GREBB, J.A. –
Compêndio de Psiquiatria: Ciências do
Comportamento e Psiquiatria Clínica,
Porto Alegre, Editora Artes Médicas, 7ª
edição, 1997.
LAFER, B., ALMEIDA, O.P., FRAGUAS, J.R., MIGUEL,
E.C. – Depressão no Ciclo da Vida, Porto
alegre, Editora Artmed, 2001.
MARCELLE, D. – Manual de Psicopatologia da
Infância de Ajuriaguerra, Porto Alegre,
Editora Artmed, 5ª edição, 1998.
STOPPE, J.A., LOUZA, N.M.R. – Depressão na
Terceira Idade: Apresentação Clínica e Abordagem
Terapêutica, São Paulo, Editora Lemos, 2ª
edição, 1999.